sexta-feira, 14 de junho de 2013

Aristides Sousa Mendes versus Salazar

Convite à cidadania


Evento em Cabanas de Viriato
20 Junho 2013

O diplomata português que desobedeceu a Salazar e, quando cônsul em Bordéus em 1940, passou milhares de vistos a cidadãos fugidos à perseguição nazi, é um dos meus “heróis” preferidos.

Basta conhecer a história da sua vida e temos logo uma razão para repudiar a ditadura do Estado Novo!

Portugal deve fazer todo o possível para honrar a memória deste homem. Apesar da crise que estamos a atravessar, devia ser feito um esforço sério para recuperar a casa da sua família em Cabanas de Viriato e transformá-la em museu e/ou centro de interpretação do que foram aqueles anos de guerra na Europa e no Mundo.
É óbvio que não o conseguiremos só com o nosso esforço: mas os muitos descendentes de quem ele salvou, hoje espalhados por diversos países entre os quais os EUA, estão por certo dispostos a ajudar.
Prova disso é a existência da Sousa Mendes Foundation, constituída em 2010, com sede em Seattle, que acaba de organizar uma viagem a Cabanas de Viriato, este mês, no dia 20 de Junho de 2013, aliás com o apoio do município de Carregal do Sal e da sua congénere portuguesa, a Fundação Aristides de Sousa Mendes, constituída há mais tempo que a americana.

Pessoalmente vou associar-me a este evento.

Aproveito para fazer uma proposta que pode ser chocante para alguns. É a seguinte:
A uns vinte quilómetros de Cabanas de Viriato, fica Santa Comba Dão, terra natal de Salazar, o ditador que amaldiçoou Sousa Mendes e toda a sua família. Tal como Roma não destruiu nem as suas catacumbas nem o Coliseu onde tantos gladiadores e tantos cristãos foram mortos em espetáculos de horror e ódio, Santa Comba em nada se desprestigia por criar também uma instituição que seria um museu e/ou centro de interpretação do Estado Novo.

Que ninguém me entenda mal!
A existência de museus da Inquisição não significa que se aceita o papel que a mesma teve no seu tempo, antes pelo contrário, a mensagem a transmitir é aquela que o Japão inscreveu junto a Hiroxima, e que diz apenas:

- “Para que o Mundo não esqueça!”

Sousa Mendes, em Cabanas versus Salazar, em Santa Comba fariam uma só aparentemente estranha parceria num esforço para que não esqueçamos a História.
Dois locais a curta distância que os jovens poderiam visitar para crescerem em cidadania! Já para não falar no papel que tais instituições assumiriam para estimular o turismo na região.

Mais informações em:

http://www.fundacaoaristidesdesousamendes.com/

http://sousamendesfoundation.org/

 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mário Sousa Santos, músico e professor


Mário Sousa Santos deu aulas do que então se chamava Canto Coral no Liceu Normal D. João III, em Coimbra, hoje Escola Secundária José Falcão.
Foi professor, por exemplo, do cantor Mário Gomes Pais de quem se fala no site:
http://quartetoaeminium.com.sapo.pt/feedback51.htm

 
Neste video estamos a ouvir uma composição dele  
Ave Maria  interpretada pelo Coro Cantacellis no
1º Encontro de Música Coral da Póvoa De Varzim


Este homem nada tem a ver com a Matemática.

Foi músico. Compôs e interpretou peças para piano: na Igreja de Santa Cruz em Coimbra, ouvi-o acompanhar celebrações litúrgicas com arranjos ou improvisações inspiradas em peças célebres como, por exemplo, a Tristesse de Chopin; ensinou no então chamado Liceu D. João III, também em Coimbra; e deu aulas particulares: foi assim que o conheci quando fui seu aluno privado em solfejo, história da música, piano e harmonia. Brilhante pedagogo, foi sob a sua orientação que me submeti e fui aprovado em exames a estas disciplinas nos Conservatórios do Porto e de Lisboa.

Não levei ao fim nem o curso de piano nem o de composição, porque entretanto o primeiro emprego como programador de computadores no Centro de Cálculo Científico do Instituto Gulbenkian de Ciência não me deixava muito tempo livre. A paixão pela Música, no entanto, não se apagou; e seria injusto não referir aqui a professora Isabel Gouveia (Pires), com quem, anteriormente, criança ainda, já tinha tido as primeiras lições.

Sousa Santos tinha uma personalidade que impressionava. Era discreto, simples, eu diria mesmo humilde mas ao mesmo tempo muito sociável: quase um asceta, era solteiro e julgo que nunca sequer teria tido namorada!

Quando comecei a minha atividade profissional, publiquei um pequeno trabalho de investigação, redigido em Inglês, [“On the maximum value of sums of products”, Gazeta de Matemática, vol.94-95, (1964), pág. 1-3] cuja primeira versão portuguesa me tinha valido o Prémio F. Gomes Teixeira de 1962. Este prémio era dado a trabalhos de Matemática da autoria de jovens estudantes universitários. Quando foi publicado, acrescentei a dedicatória: To Mr. Mário Sousa Santos, in appreciation and affection. E ofereci-lhe uma separata.

Sousa Santos respondeu-me com a carta que a seguir transcrevo, datada de 23 de fevereiro de 1965:

Meu caro José Manuel

Venho agradecer-lhe muito sensibilizado a gentileza da sua oferta, fruto do seu nunca desmentido afinco ao estudo e do inegável talento com que Deus o dotou.

Embora não seja um trabalho da minha especialidade, confunde-me a sua lembrança, e mais uma vez tenho a prova da sua amizade e dedicação.

Deus queira que não tenha colocado a música, um bocadinho no esquecimento…

Não é só fazendo sonatas que merece a pena “musicar!”

Aguardo a 1.ª oportunidade para lhe falar, e de lhe dar um abraço amigo e de muito reconhecimento.

Adeus José Manuel – vai a expressão de toda a admiração e estima do seu velho professor e amigo

M. Sousa Santos


A este poster, redigido a 18 de maio de 2013, acrescento hoje, a 7 de julho de 2014, a seguinte nota:

No Diário de Coimbra de 4 do corrente mês, fala-se de um recital na Casa da Cultura César Oliveira, em Oliveira do Hospital, pelo jovem músico Tiago Nunes, de Ervedal da Beira. E anuncia-se que, em parceria com a soprano Carla Bernardino, foram convidados a gravar todas as obras para canto e piano de Mário de Sousa Santos, as quais, até hoje, nunca foram editadas nem gravadas.