terça-feira, 30 de novembro de 2010

Se a tua bússola for o trabalho, o teu norte será o triunfo

Venho hoje prestar uma homenagem ao meu Pai, José Simões Pereira Júnior. Médico e cirurgião de sucesso, não tinha muito tempo livre mas foi sobretudo nos momentos que passei com ele que aprendi a ser adulto.

A frase que serve de título a este cartaz foi a ele que a ouvi; não me lembro se ele me disse que era uma citação. Procurei-a em motores de busca e não a encontrei. Provavelmente a frase era mesmo dele; e que o pensamento também era, isso posso garantir!

Foi dele sim que aprendi -- tinha eu 9 anos -- que o trabalho nos dignifica, nos enobrece, nos leva a triunfos: sobre a ociosidade, sobre o parasitismo, sobre a inutilidade. Mesmo que esse triunfo não seja grandioso, é fonte de auto-estima e, como tal, já é uma vitória.

Obrigado Pai!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Amor, Solidão e Fé

Aqueles que leram o meu livro com este título "AMOR, SOLIDÃO E FÉ" e que eu assinei com o pseudónimo Zé-Manel Polido certamente reconhecem que eu nada tenho contra o amor de mãe. Certamente que o respeito, quando ele existe. O que eu pretendo dar a conhecer com este meu livro é que por vezes ele não existe. E quando assim é, o sofrimento do filho é indescritível!
E por hoje mais não digo...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

20 VALORES? 200 DÉCIMOS?

NOTAS DE EXAME: DE 0 A 20, DE 0 A 200?

Um vestígio de tempos passados que a escola portuguesa (universidade incluída) teima em conservar: a escala dos 20 valores para classificar os alunos. De 20 e até de 200... pois não é verdade que entrar ou não em Medicina pode depender de um décimo de valor no final do ensino secundário? Conheci quem entrou com 187 décimos e quem não entrou pois teve apenas 186… Paranóico!

Ora décadas atrás, nos longos anos em que ensinei nos EUA e nos menos longos em que estagiei na Alemanha, já os estudantes destes países - ditos desenvolvidos - eram classificados em 4 níveis apenas: muito bom, bom, suficiente e mau. Por vezes distinguia-se um nível de excelente.

E mesmo em Portugal, sem ser no ensino, quem é que, como avaliador da qualidade ou desempenho, usa escalas de 0 a 20?

A começar pelos docentes de escolas e de universidades que agora também são avaliados em 4 ou 5 níveis distintos.

De facto, a sociedade civil é assim que julga. Acaso há hotéis de 20, 19, 18… estrelas? Quantos níveis usa o Guia Michelin dos restaurantes?

Apelo à substituição da velha escala. Tenho encontrado alunos excepcionais, muito bons, bons e satisfatórios; e, claro, outros que não satisfazem. Ter de distinguir um 18 de um 19, um 14 de um 15, um 11 de um 12… é um claro exemplo de perda de tempo e da tão falada falta de produtividade portuguesa!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

TRATADOS, LIVROS, SEBENTAS, FOLHINHAS

SEBENTAS?

A velha tradição académica coimbrã cunhou a palavra “Sebenta”. Eram folhas de apontamentos, dactilografadas, muitas vezes brochadas a imitar um livro, que procuravam reproduzir o que um professor dava nas aulas. Num tempo em que não havia fotocopiadoras para piratear edições, as sebentas sempre saíam mais baratas que as alternativas então usadas: os chamados “Tratados” – “les Traités”, quase todos de autores franceses, que eram verdadeiras enciclopédias sobre as áreas científicas que cobriam e que incluíam, quase sempre, resultados originais dos seus autores.

Entretanto o enciclopedismo morreu e agora já não há tratados; o que há são “Monografias”. Os maiores cientistas, os grandes sábios, já não escrevem tratados mas sim, em vez deles, monografias, em cada uma das quais se ocupam – com profundidade e cuidado, não o neguemos! – de um e apenas um tópico pelo qual se interessam ou interessaram.

Quanto à palavra “sebenta”, caiu em desuso. Foi substituída pela expressão, mais aristocrática, “texto de apoio”. E passou a ser frequente ser o próprio professor a redigi-lo e a afixá-lo na Internet.

Só que, por cada asneira que nos escapa quando revemos o texto de um livro a publicar em suporte de papel, há vinte que nos escapam – sem a mínima dor de consciência – quando revemos umas folhas de apoio que vamos disponibilizar na Internet. E porquê?

Porque no papel a asneira fica lá, a testemunhar a nossa incúria… ou falta de sabedoria. Na Internet apaga-se com um clique e, “não se encontrando o cadáver, é mais difícil provar que houve crime!”

Por tudo isto dou razão a um amigo que compara a sebenta – ou os textos de apoio – a um barquinho salva-vidas; e um livro – digno desse nome! – a um luxuoso navio de cruzeiro ou pelo menos a um iate privado de um qualquer multibilionário.

Porque o mercado em Portugal é pequeno e ser ou não “digno desse nome” é um qualificativo difícil de atribuir, sem contestação, a qualquer livro técnico, poucos se aventuram ao trabalho de escrever um. Até porque a escrita de uma obra dessas, que noutras épocas era a consagração de um mestre, hoje pouco pesa na avaliação da qualidade do desempenho da carreira docente universitária. Contam mais os artigos de investigação, mesmo os de poucas páginas – que sem dúvida merecem apreço, pois é com eles que a Ciência avança!

Em todo o caso não se justifica a escandalosa desvalorização do tratado que tem, a meu ver, uma dupla explicação: em primeiro lugar, para quê existirem se ninguém tem coragem de os ler? Em segundo lugar é melhor não falar neles para não termos de assumir a nossa incapacidade de os escrever!

terça-feira, 20 de julho de 2010

POBRES PROFESSORES DOUTORES!

Pobres professores do ensino superior!

Somos indiscutivelmente os trabalhadores mais mal pagos na relação salário dificuldade da carreira! E continuamos, masoquisticamente, dispostos a sacrifícios inúteis, improdutivos, ridículos.

Este cartaz nasceu por uma mensagem que, hoje, 20 de julho de 2010, acabo de receber de um colega por quem aliás tenho o maior respeito e a mais sincera admiração dado o seu curriculum científico e pedagógico. Mas a mensagem é a convocar-me para uma reunião a 3 de setembro - pasme-se! - para discutir a melhor maneira de apaparicarmos a caloirada que vai entrar na universidade no próximo ano!

Bom, não faço mais comentários! Vou transcrever a minha resposta ao colega:

++++++++++

Oh meu caro e prezado Colega:

Vamos ver se lhe consigo fazer chegar esta mensagem sem o magoar. Nós
portugueses, para nosso mal, somos uns vidrinhos, ofendemo-nos com um
mosquito, e eu, que vivi em 3 países ditos desenvolvidos, já me apercebi
que esta nossa hipersensibilidade é uma das razões pelas quais ninguém se
manifesta, ninguém dialoga, ninguém faz sugestões... e, portanto, nunca
passamos da cepa torta...

Vem isto a propósito da sua convocatória para uma reunião a 3 de setembro.
Como estou a trabalhar no duro e não vou fazer férias, por mim até podia
marcar a reunião para 15 de agosto, um dia que é feriado e é domingo!

Mas deixe-me fazer-lhe uma observação: há um ano, creio que também foi sua
a marcação de uma reunião qualquer para os primeiros dias de setembro, com
convocatória em julho; este ano a sua ‘’reincidência’’ leva-me a uma
pergunta: o que move o seu super zelo? Ainda não começaram as férias que,
na nossa profissão, ao contrário de todas as outras, nem podem ser
escolhidas por nós, e já está a lembrar-nos que temos de servir a Pátria,
''com coragem e valor'' logo a seguir a elas...

Olhe, estimado Colega por quem tenho a máxima consideração apesar de
discordar desta sua pressa: não ignore - eu sei que quem vive só na
Academia ignora muitas vezes o Mundo real, aquele que existe para além da
sala de aulas e das bibliotecas, em papel ou virtuais - não ignore que
nós, professores do ensino superior, estamos a ser profundamente
injustiçados e mal tratados
. Há aspetos que têm melhorado - isso é
indiscutível! São coisas que melhoraram com o nosso esforço e a nossa
iniciativa, o nosso voluntariado, em suma. Produzimos e organizamos mais a
nível científico e didático, trazemos mais prestígio para as nossas
instituições. Mas há outros aspetos em que estamos a andar para trás. Hoje
somos trabalhadores mal pagos. Não duvido: os mais mal pagos em relação às
dificuldades da carreira!
Compare com o que lhe cobra qualquer trabalhador
ou pequena empresa por reparar um cano, uma torneira ou uma tomada
elétrica, ou por lhe pintar uma parede ou desempenar uma porta! E na nossa
especialidade, Matemática, não temos sequer qualquer hipótese de obter
rendimentos extra nem, muito menos, sermos nós a fazer o preço pelo nosso
trabalho.

Ora Bolonha veio trazer, em Coimbra, um aumento enorme de trabalho
improdutivo para nós. Numa época, em que todos falam de produtividade! Por
exemplo: esta história da avaliação contínua. Já verifiquei que, na
Clássica de Lisboa, há gente que continua a fazer avaliação com um simples
exame final. Isto tudo é discutível, é verdade: eu, por exemplo, penso que
haver só um exame final estimula os alunos a aprenderem a ser responsáveis
e a gerir o seu tempo, uma competência mais valiosa para eles que saberem
o teorema de Pitágoras (o seu equivalente em espaços de Hilbert, claro)!
Os minitestezinhos só lhes prolongam a adolescência, para não dizer a
infância; e eu sei isso por experiência própria, pois o aprendi quando
tinha 14 anos e saí da infantilizante escola pública de então para uma
onde havia liberdade; e lá aprendi a saber usá-la e, consequentemente a ser
responsável.

Enfim, se leu até aqui, também já contribuí para delapidar um pouco do seu
tempo que podia ter usado em coisa mais produtiva que a ler o meu
escrito!!!

Um abraço de muita estima e consideração – apesar da discordância! – e
tenha umas boas férias. E no dia 1 de Setembro, quarta-feira, por favor
torne a mandar a convocatória para o dia 3, sexta-feira!

Renovados cumprimentos!

J. M. S. Simões Pereira
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Visite o blogue: ze-manel-polido.blogspot.com

domingo, 13 de junho de 2010

5 Euros por prova corrigida! Mas para mim, ZERO

E PARA MIM... NÂO VAI NADA, NADA, NADA?

Sou, como se pode ver no meu perfil, docente do Ensino Superior. Mas assumo o lugar comum: tenho por todos os que trabalham com competência e honestidade o mesmo respeito independentemente dos graus académicos.

Ora o que hoje, 13 de junho de 2010, acabo de ler na primeira página do Diário de Notícias foi uma enorme surpresa: o Ministério da Educação paga 5 euros a cada docente por prova corrigida dos exames nacionais no Ensino Básico e no Secundário!

Não vou dizer que é imerecido, acalmem-se os colegas destes níveis de ensino! Sei muitíssimo bem que é um trabalho desgastante, demorado, que não entusiasma. Por isso não direi que é errado remunerá-lo. Evidentemente que não!

O que eu digo é que, sendo verdadeira esta notícia, nós, no Ensino Superior, somos vergonhosamente explorados.

Cada um de nós tem de preparar as questões a propor aos alunos - não há nenhum GAVE a fazer-nos esse serviço - temos de as escrever no computador, temos de as imprimir e fotocopiar - não vem a GNR trazê-las à nossa porta - temos de as corrigir, e, pelo menos no meu caso, é tradicional mostrar as provas depois de corrigidas aos alunos que as quiserem ver, enfim é frequente apresentar aos alunos uma possível resolução dos problemas propostos - o que é viável na Matemática, embora não o seja, obviamente, noutras áreas.

E isto acontece uma vez no ano? Não, com a famigerada reforma de Bolonha, os alunos têm direito a avaliação contínua, que envolve além de vários minitestes durante o semestre uma chamada frequência no fim das aulas - que é um exame como outro qualquer - depois um exame chamado da época normal, depois um outro chamado da época de recurso e ainda um quarto exame - de facto este só para alunos em situações especiais - que se chama da época especial. E cada aluno não tem uma só oportunidade, atenção!

Então quanto é que nos pagam por todo este trabalho? Quero dizer, quanto é que me pagam, para falar com todo o rigor pois não estou mandatado por ninguém nem sei de facto o que se passa noutras universidades, noutros departamentos, noutras faculdades?

Pagam-me NADA ou seja, matematicamente falando, ZERO!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Ciência e cultura gratuitas: Sim ou Não?

Acabo de ler um documento no Boletim Quinzenal do meu sindicato, o SNESup, em que o autor preconiza a disponibilização gratuita do conhecimento e dos bens culturais. Para ele, as músicas, por exemplo, deviam ser postas à disposição do público na Internet, sem qualquer remuneração a pagar por quem as quisesse gravar, os livros, a mesma coisa, enfim, na era das telecomunicações fáceis, a cultura e a ciência deviam ser produzidas de graça.

Espantoso que o autor desse documento não propõe -- como devia fazer para ser coerente -- que tudo o resto que se produz devia ser igualmente gratuito. Por que razão deveremos pagar o arroz, as batatas, o pão ou a fruta que comemos? Porquê pagar ao pedreiro e ao carpinteiro que produzem as casas onde moramos? Porquê pagar o petróleo e seus derivados ou quaisquer outras fontes de energia?

É certo que há sociedades que parecem viver felizes sem que os seus membros paguem serviços ou bens mutuamente fornecidos: desde a infância que admiro as formigas e as abelhas. Mas haja coerência como entre elas existe: ou se paga tudo ou não se paga nada!

E num mundo que paga, e caro, as tacadas de Tiger Woods, os xutos de Cristiano Ronaldo e as raquetadas de Serena Williams, que razão nos levará a aceitar que não se devam pagar os resultados do esforço, suor e lágrimas dos que produzem ciência e cultura?

Certamente que já houve tempos em que muitos não eram pagos pelo seu trabalho e produziram grandes obras: os escravos e servos da gleba não eram pagos e alimentaram reis, nobres, senhores feudais e grandes exércitos; e no Antigo Egipto, segundo se diz embora alguns já duvidem, terão sido escravos os que construiram monumentos que ainda lá estão, milhares de anos depois. Preconizará o autor do artigo a que me refiro a reintrodução da escravatura na sociedade do futuro da qual parece querer ser arauto? Sendo que esses novos escravos seriam os cientistas, os intelectuais, os artistas...

Temos pois um arauto do futuro a defender um regresso ao passado! E vamos com sorte, porque também nesse passado, ao qual eu não quereria regressar, cientistas e artistas não eram lá muito bem pagos. Havia alguns reis e nobres mecenas que eram mais ou menos esmoleres para os que, com música, teatro e bufonaria matavam o tédio das cortes e salões dos seus senhores. E cientistas, e também artistas, alguns o conseguiram ser porque eles próprios pertenciam a famílias nobres: nasceram ricos, não enriqueceram com o que descobriram ou criaram.

Enfim, convenhamos, pior ainda do que não ser pago é ser castigado por produzir conhecimento e cultura. Se seguirmos a proposta do autor do artigo que refiro, o primeiro passo será não ser pago; e nesse regresso ao passado o segundo passo é talvez pagar com a vida ou a liberdade a ousadia de pensar ou de produzir progresso. Não foi isso que aconteceu a Sócrates, o grego, à Hipátia de Alexandria, ao Galileu Galilei?

Ora, responder-me-á o autor do artigo, trabalhem sem ganhar e dêem-se por felizes: por enquanto ainda não preconizo para vós o destino de Sócrates, Hipátia ou Galileu!

Ze-Manel Polido

sábado, 30 de janeiro de 2010

POLIGAMIA E INCESTO: SER OU NÂO SER LIBERAL

Hoje, 14 de Fevereiro de 2010, estou a acrescentar uma nota que julgo significativa ao cartaz que aqui afixei em 30 de Janeiro passado. É que a nossa sociedade, por mais que diga o contrário, continua cheia de tabus: o texto que divulgo abaixo foi enviado a várias publicações nacionais nas secções de Fala o Leitor e quejandas. Alguém se atreveu a publicã-lo? Oh! Oh! Foi como se eu estivesse a apelar a colaboradores para alguma acção terrorista!
Leia o meu amigo o que eu escrevi e julgue por si:

Na onda de liberalização das opções sexuais livremente consentidas entre pessoas adultas, ocorre-me perguntar o motivo pelo qual ainda se não iniciou a discussão da possível legalização da poligamia e do incesto.

Reproduzo um pequeno texto que escrevi há dias:

POLIGAMIA E INCESTO: LEGALIZAR OU NÃO?

Pessoalmente só tenho contra o casamento de homossexuais o nome que se lhe dá. Penso que degrada e ridiculariza o contrato que livremente estabelecem e que, tendo obviamente um enquadramento distinto do casamento tradicional, deveria também ter um nome diferente. Estranho porém não se aproveitar este momento de viragem na instituição chamada família para liberalizar e/ou legalizar outras situações muito mais frequentes e que continuam proibidas e por discutir.

Primeiro exemplo: a poligamia. A proibição de um homem ter várias esposas ou uma mulher ter vários maridos tem causado e continua a causar sofrimentos, tragédias e crimes. É uma fonte de stress para todos os envolvidos. E para quê? Quantos homens e quantas mulheres têm relações fora do casamento e não deixam de ser amorosos e atentos tanto para os cônjuges como para os amantes? Sem esquecer as festas em que casais se reúnem para trocar de parceiro sem que daí advenham más consequências. Também ao discutir a adopção por casais homossexuais, lembremos as crianças nascidas de relações poligâmicas; embora os anticoncepcionais tenham atenuado o problema, ele ainda existe e ninguém gosta de ser filho ilegítimo (bastardo era a palavra ainda pior que felizmente caiu em desuso). A legalização da poligamia porá fim a estes dramas. Na verdade há países onde a poligamia é legal e são modelares como sociedades pacíficas e de reduzidíssima violência: conheço bem o caso da Suazilândia.

Segundo exemplo: o que hoje se chama incesto. Por que não permiti-lo e legalizá-lo? Aqui argumenta-se com riscos genéticos para os descendentes desses casais. Existem de facto? No Antigo Egipto o incesto era usual e não parece que tenha levado à degradação da espécie ou à queda dessa civilização que foi a mais duradoura da História conhecida. Será outra discussão que as sociedades ditas ocidentais deverão encetar para abrir caminho a uma revolução no conceito de família em que a união legal de homossexuais é apenas um tímido começo.

Zé-Manel Polido
(Coimbra)