quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SALAZAR DITADOR? JÁ NÃO SEI SE É VERDADE

VOLTA, SALAZAR: ELES VÃO ENSINAR-TE A PROIBIR LIVROS SEM SERES DITADOR!

Salazar afinal não era assim tão diferente como alguns o querem pintar...

Havia censura... é verdade... mas agora todos descobrimos que continua a haver!

O livro de Gonçalo Amaral sobre o desaparecimento da menina inglesa no Algarve, a Maddie, acaba de ser proibido! À boa maneira salazarista, sem tirar nem pôr! Fizeram-lhe o mesmo que os chefes do Islão fizeram ao livro Versículos Satânicos do Rushdie. Nunca, mas nunca, eu imaginaria - e como eu milhões de portugueses - que tal pudesse suceder numa democracia! Quem vende a ideia que somos uma democracia, ao contrário do que éramos no tempo do Salazar, porque agora há liberdade de expressão... bom, no mínimo não diz a verdade!

E não desviem as atenções desta proibição com a historieta da Moura Guedes e das suas investigações sobre as leviandades deste ou daquele responsável político. Porque mais importante que os patrões de uma estação de rádio ou TV despedirem um jornalista... é a Lei de um Estado de Direito democrático permitir que um tribunal proíba um livro.

E não critiquem mais o Irão, ou outros países onde se proibem livros... ou a Inquisição que também criou um INDEX de livros que os católicos não podiam ler! Não os critiquem e não critiquem especialmente o Estado Novo!

Ou então concordemos que foi a Justiça que matou a Democracia!

E depois admiram-se que o povo considere Salazar um grande português... Pelo menos, não era hipócrita...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

À MINHA MÃE

RANCOR

Como pode volver-se em tanto ódio
o que era, naturalmente, um grande amor?
Como pode fulminar-se quem nos ama
com uma explosão imensa de rancor?

Como se anula um amor num instante apenas
quando ele, década a década, se afirmou?
Onde nasce uma tal força destrutiva
que assim arrasa o que o tempo edificou?

Como se desmorona, se desfaz
um amor em que sempre confiámos?
Porque nos repudia aquela, a única,
que toda a nossa vida idolatrámos?

Sei lá!... Não sei!...
Quem é que sabe
num labirinto destes penetrar?
Quem poderia o porquê de tudo isto,
claro e sem lacunas, explicar?
Sabemos tão pouco…
Deus, talvez, o pudesse, se quisesse, desvendar…

2003-05-31

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Poema extraído do meu livro AMOR EXPLORADO

domingo, 6 de setembro de 2009

À MINHA MÃE

TORRENTES DE AMOR

Tantos rios de carinho que te dei!
Com dilúvios de amor eu te inundei!
Dos mais variados perigos te guardei,
pois eras frágil... ou eu assim pensei...

Falsa visão! Como é que a arquitectei?
Que eras tão frágil, fui eu que imaginei.
Em ti tudo era oposto ao que sonhei
e só agora vi que me enganei.

Tarde demais! E tu aproveitaste!
Minha entrega total sempre aceitaste,
esta devoção louca exploraste
e com um nada vazio me compensaste.

Loucura de arlequim… um sopro o verga…

E eu me vergava ao medo que sofrêssemos...
Temia tanto, tanto, que partisses...
Mas então não sofri?... Esta surpresa...
Como podia esperar que assim me ferisses?

Alguém me veio agora perguntar
“se tudo repetiria ingenuamente,
caso o tempo pudesse andar para trás...”

Respondi que sim. Pois, ainda hoje,
tudo te perdoo e, como um crente,
peço a Deus que “descanses em paz”...

2003-05-01
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Poema extraído do meu livro AMOR EXPLORADO

domingo, 30 de agosto de 2009

AMOR EXPLORADO

Reproduzo as três últimas estrofes do poema AMOR EXPLORADO com o qual encerro o livro com o mesmo título:
........................................
+
Eu aprendi na vida esta lição:
O amor que dei…
à família, em primeiro,
e a outros… já nem sei…
e a amizade que a tantos consagrei…
– Foi tudo em vão!
+
Amor explorado, andaram-mo a roubar,
não deram nada em troca, nada, não!
Ficou-me o vácuo, melhor dizendo, um vórtice,
sorvendo o que ainda possa em mim restar.
Voragem que me suga… é mais que um vórtice,
é uma vertigem louca de agressão!
Que objectivo há nela? Certamente,
a minha mais total destruição…
+

Amor explorado, dei-o erradamente…
Talvez Deus me tivesse aconselhado
se eu cada vez tivesse perguntado:
– “Posso dá-lo, ó Deus, a este irmão?”
O amor é Seu dom, se o desperdiço,
nada produz. Eu fi-lo, e é por isso,
por tê-lo dado a tanta gente errada,
que hoje te peço, ó Deus, o Teu perdão.

ZÉ LOPES & FILHOS, LDA.

ZÉ LOPES & FILHOS, LDA.

Zé Lopes e filhos
Vírgula, limitada…
É nome de firma
É nome de empresa.
Quem és tu, Zé Lopes?
Será que imaginas
Que esse teu “& Filhos”
Me aviva a tristeza?

Também eu gostava
De ver os meus filhos
Trabalhar comigo.
Era um sonho antigo
Que já se apagou.
Quantos pais o têm?
Quero acreditar
São tantos que ainda
Ninguém os contou…

Zé Lopes, Zé Lopes,
Que sorte que ele tem!
Saberá o Zé Lopes
Quantos pais gostavam
De ter os seus filhos
Ao pé deles também?

São tantos que ainda
Ninguém os contou…

E nesse número eu estou!

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Um dos mais ingénuos entre os poeminhas do meu livro AMOR EXPLORADO (Editora Luz da Vida, Lda., Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra)

sábado, 29 de agosto de 2009

ANOS A FIO

ANOS A FIO...

E agora, queridos filhos, meditai
nesta simples confissão do vosso pai:

- Anos a fio…
Foi preciso optimismo para crer
no vosso amor…
mas eu acreditei!

Anos a fio…
Foi preciso ser louco para sonhar...
mas eu sonhei!

Anos a fio, sim, anos a fio,
até chegar o dia de acordar…
E nesse dia, olhai, o que encontrei?

Um túnel negro e estéril de desprezo,
vazio…
muito vazio…
todo vazio…

Um mundo feito ausências e distâncias,
silêncio e desinteresse…
um mundo frio…

Maldito ele fosse,
se em maldições eu cresse!
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Mais um poema do meu livro AMOR EXPLORADO (Editora Luz da Vida, Lda. Rua Mário Pais, 16-0-A, 3000-268 Coimbra)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

RETRATO

RETRATO (+)

Tenho na minha mesa de trabalho
Aquele retrato em que vos vejo aos dois...
Os dois junto a mim!
Momento fugidio…
Pensava então
Que o tempo de sofrer pela vossa ausência
Tinha chegado ao fim.

Ingenuidade!...
Não vos voltei a ver,
Nossa separação recomeçou.
Culpa de quem? De quem só é feliz
Quando a vida dos outros destroçou.

E é neste limbo que paira o meu amor,
Pelos filhos que o ódio me arrancou.
Santa aliança, a dos que recearam
Que vós, filhos, me vísseis como eu sou.

2003-05-29
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(+) Extraído do meu livro AMOR EXPLORADO, publicado pela Editora Luz da Vida. Se não encontrar na sua livraria, pode adquiri-lo enviando 10 Euros em cheque ou vale do correio pagável à Editora Luz da Vida, Rua Mário Pais, 16-0-A em 3000-268 Coimbra.
Recebê-lo-á pelo correio sem custos extra.

TU O COMPREENDERÁS

Reproduzo um pequeno poema que dediquei em 2003 ao meu filho mais novo que, ao contrário do mais velho, nem sequer enquanto bebé teve a oportunidade de viver comigo.

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TU O COMPREENDERÁS

Meu filho, meu querido filho,
Tanto te esperei e sofri!
E agora? Será verdade
Que nada valho para ti?

Sonhei que viriam tempos
Que passasses junto a mim.
Erro meu!
Quem tem tudo, nada dá…
Porque será?
Porque haverá gente assim?

Conseguiram apagar-te
Da memória o meu amor.
Só o compreenderás
Quando um dia a tua vida
Te fizer sentir a ti
O que eu sinto, a mesma dor…
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O poeminha é extraído do meu livro AMOR EXPLORADO, publicado pela Editora Luz da Vida. Se não encontrar na sua livraria, pode adquiri-lo enviando 10 Euros em cheque ou vale do correio pagável à Editora Luz da Vida, Rua Mário Pais, 16-0-A em 3000-268 Coimbra.
Recebê-lo-á pelo correio sem custos extra.

sábado, 15 de agosto de 2009

CENTRALISMO E AMBIENTALISTAS EM PORTUGAL

A FIGUEIRA DA FOZ, O GOLFE, A CIMPOR E O CABO MONDEGO

Aqui na Figueira da Foz recordei hoje um artigo meu saído no Diário de Coimbra há mais de 9 anos. Relê-lo mostra como tudo continua sem mudar neste nosso país que padece do característico síndrome dos países do terceiro mundo: desenvolve-se a capital (e o Algarve que é onde a capital passa férias) e deixa-se o resto entregue à natureza. Uma opção tranversal aos partidos que têm passado pelo poder, no que obviamente se revelam úteis os auto-proclamados ambientalistas...

Nove anos depois, é amargo reconhecer que, entre os projectos a que me refiro, só não foi inviabilizada a Foz Village; e a pista de remo em Montemor-o-Velho, embora sobreviva, não tem a envolvente que já devia ter... e pergunto-me se a virá a ter...


Segue-se a transcrição do artigo publicado a 22 de Abril de 2000:

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DA CIMPOR AO GOLFE: O QUE MOVE OS AMBIENTALISTAS E OS "PROTECTORES DA NATUREZA"?

Ainda não tínhamos digerido a inviabilização do golfe na Figueira da Foz e logo sabemos que o de Mira sofre o mesmo destino. E que houve pareceres negativos contra a pista de remo em Montemor-o-Velho: não sei aliás se também é inviabilizada. E que o magnífico projecto de urbanização Foz Village, entre Buarcos e o Cabo Mondego, também está a ser vítima dos ambientalistas e protectores da natureza. Só que - e isto é fantástico mas é um facto! - os mesmos que tanto se empenham contra estes projectos estão mudos e quedos contra a fábrica da Cimpor do Cabo Mondego e contra a co-incineração em Souselas e Maceira. Não se lhes ouve um só murmúrio contra estes monstruosos atentados ao ambiente.

Se em política o que parece é, permitam-me que pergunte, o que parece isto tudo?

Que coerência têm estas associações de ecologistas? Porque não se pronunciam contra os projectos do Algarve e da Grande Lisboa, sejam eles na Arrábida ou em Sintra? Não são estas áreas dignas de ser preservadas? Tanto são que a co-incineração foi logo excluída do Outão, mesmo sem os protestos deles! Porque se identificam os alvos dos ataques destas associações com tudo o que possa trazer desenvolvimento à Região Centro, especialmente na vertente turística? Porque permitem eles que os seus pontos de vista se colem aos interesses da indústria hoteleira do Algarve e Grande Lisboa, e aos mais fanáticos partidários do centralismo lisboeta ou enfim da bipolarização turística Lisboa-Algarve?

Porque, deixemo-nos de ingenuidades: o ambiente é de nós todos, não é só dos caracóis e dos batráquios, dos malmequeres e da passarada, é dos humanos também. A flora e a fauna actuam sobre o meio ambiente e nós humanos temos pelo menos iguais direitos. É óbvio que temos de actuar com inteligência e cautela, mas isso não implica deixar tudo nas mãos (ou melhor, nas patas) da bicharada. Termos uma floresta, umas dunas, uns lagos ou lagoas intocados, onde os humanos não entram, será uma maneira de educar para a protecção do ambiente? Como educadores sabemos que para amar e respeitar a natureza temos de nos habituar a conviver com ela. Se tudo nos for inacessível, duvido que esse amor e esse respeito se desenvolvam nas novas gerações.

A opção que me parece realista quanto ao golfe da Figueira ou de Mira não é entre umas lagoas e dunas impolutas e virgens e uma floresta de betão a substituir-se às espécies que os ambientalistas e outros protectores da natureza dizem tanto amar. A alternativa realista é outra: é entre haver turistas, e consequentemente trabalhadores a cuidar da limpeza dos espaços, das plantas, das relvas, das lagoas, das árvores, ou haver apenas marginais e um ou outro raro passante que pensará "que bonito que isto podia ser, se estivesse arranjado e aproveitado!"; é entre haver bolas e tacos de golfe, ou haver preservativos e seringas, restos de papel higiénico, sacos de plástico rotos a verter cascas de frutas e côdeas de pizza, fraldas descartáveis fétidas e sujas. Lixos que ninguém obviamente limpará, estercos que ninguém vai remover. Mas quem quiser jogar o golfe tem a Grande Lisboa e tem o Algarve e para contemplar a natureza tem o Parque de Monsanto, Sintra ou a Arrábida, e a costa algarvia, onde há hotéis, restaurantes, discotecas, condomínios fechados e tudo o mais. Para o lazer dos que têm tempo ou já não precisam de emprego e para se empregarem os que ainda precisam de o fazer. Que vão todos para lá! E que suba nessas regiões o nível de vida e que continuem pobres e sem empregos os que vivem na Região Centro. Afinal também estes, se quiserem, podem ir para essas regiões privilegiadas onde a natureza resiste a todos os golfes, projectos imobiliários de férias e fins-de-semana, equipamentos turísticos e de lazer de todos os tipos. A desertificação não é um problema, pelo menos não incomoda os caracóis, batráquios, malmequeres e passarada. Nem incomoda os protectores da natureza. Nem certamente a Cimpor.

Senhores políticos, desçam das nuvens! Ouçam a meia dúzia dos iluminados protectores da natureza, mas ouçam também a meia dúzia de milhões de portugueses (talvez de facto já sejam menos...) que ainda não emigraram para a Grande Lisboa. Que vivam caracóis, batráquios, malmequeres e passarada, sim! Mas que vivamos nós humanos também! Façam favor de encontrar rapidamente alternativas locais aos projectos que inviabilizaram. Usem a inteligência que têm! Porque nós, cidadãos comuns, também não somos desprovidos dela!

J. M. S. Simões Pereira

(Professor Universitário)

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Diário de Coimbra a 22 de Abril de 2000

sábado, 8 de agosto de 2009

RAUL SOLNADO - In Memoriam

Uma palavra de homenagem à memória de um homem que merece o nosso respeito pela seriedade com que fez humor.

E o que acabo de escrever não é um trocadilho. É para recordar a capacidade que ele tinha de nos fazer rir sem usar o vernáculo obsceno que tantos usam para provocar a hilaridade. Em vez disso ele usava jogos de ideias e não simples jogos de palavras... ou de palavrões! E, nos idos tempos do Estado Novo, tinha a coragem de ironizar com as decisões do Governo de uma forma tão elegante e inteligente que nem a mais manhosa e satânica polícia política encontrou pretextos para o encarcerar.

Pessoalmente - e já que isto é o meu blogue - uma palavra a recordar que, durante o período da minha amargurada infância e adolescência, a ele devo, pelo seu bom humor, alguns momentos de alegria para não dizer de felicidade. Era com a recordação dessa alegria que por vezes cruzava com ele na rua onde recentemente ambos morávamos em Lisboa e que, há poucos anos, assisti na primeira fila a uma homenagem que lhe foi feita em Cascais.

Por tudo isto, obrigado, Raul Solnado!

Zé-Manel Polido

Figueira da Foz, 8 de Agosto de 2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009

LANÇAMENTO NOVO LIVRO

Aos meus estudantes: Desejo-vos umas boas férias!
Entretanto anuncio-vos que o meu livro sobre grafos já aí está.
Saiu a 12 de Julho de 2009.
Mas ainda não está distribuído: só a livraria dos Arcos do Jardim (em Coimbra)
e a Havanesa e a Casa Rádio (na Figueira da Foz) é que o têm.


CAPA
CONTRA CAPA
DE NOVO A CAPA DA FRENTE

Matemática Discreta: Grafos, Redes, Aplicaçoes (x+603 páginas)

A capa: realização de Rúbem Ismael Silva Dinis e concepção de Jacinta Luz Pereira pseudónimo de Luz Compasso

A ideia base da capa do livro anterior Matemática Discreta, Tópicos de Combinatória, também foi de Luz Compasso.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

PROFISSIONAIS DO ENSINO E PROFISSIONAIS QUE ENSINAM

PROFISSIONAIS DO ENSINO E PROFISSIONAIS QUE ENSINAM

Vou acrescentar mais uma página às muitas que se têm escrito sobre os problemas ou pseudo-problemas das chamadas Ciências da Educação.

A espiral de degradação em que se encontra o ensino pré-universitário afecta toda a sociedade e é sentida e vivenciada em primeira linha por aqueles cuja actividade os envolve nestes problemas.

Tenho para mim que uma das causas desta degradação é a dicotomia que menciono no título: há, nas escolas, profissionais do ensino, mas faltam profissionais que ensinam. Exemplificando com a minha especialidade científica: quem ensina Matemática nos níveis do básico ao secundário, tem de ter, por exigências do próprio sistema e frequentemente a contra-gosto, muito mais em comum com baby-sitters do que com matemáticos profissionais. E isto é tremendamente errado, porque por um lado eterniza a infância dos jovens em vez de os estimular a crescer e, por outro, estiola a capacidade dos docentes para viver - digamos, com generosidade, a metade - do seu campo de acção que será (ou deveria ser) a preparação como matemático, enquanto a outra metade seria a preparação como ensinante. E digo que sou generoso, porque acredito que a preparação como matemático devia tomar mais do que metade do seu esforço e da sua dedicação.

Curioso é que a vantagem do ponto de vista que defendo é tácita embora não abertamente reconhecida pela sociedade. Falando sem tabus: em que se baseia o prestígio da Universidade Católica Portuguesa? Essencialmente – e invoco, também mas não só, a minha própria experiência como aluno pós-graduado que fui desta universidade – no facto de a maioria dos seus docentes serem profissionais que ensinam, quer dizer, pessoas que têm a sua principal actividade fora do campus e ali vão dar aulas como actividade secundária. Transmitem assim aos seus alunos uma experiência de vida que é benéfica para eles, não só em si mesma como também porque lhes faculta desde logo contactos para o acesso ao mercado de trabalho quando receberem os seus diplomas. Disso resulta os seus graduados terem muito menos dificuldades em encontrar um primeiro emprego do que os de outras instituições de não menor qualidade. E o que é válido para esta escola é-o também, em larga medida, para várias faculdades da Universidade Técnica de Lisboa.

Ressalvo, para não me acusarem de ambíguo, um facto: em muitas outras universidades nacionais, a maioria dos que, legal e oficialmente e antes de tudo, são chamados professores, pois nelas trabalham em exclusividade, não se limitam a ensinar: são também profissionais que ensinam pois a sua actividade de investigação, divulgação, organização e serviço à comunidade extra-universitária vai muito para além do simples acompanhar dos seus próprios estudantes.

Relativamente aos docentes do ensino pré-universitário, devem estes, a meu ver, em especial os do secundário, ser estimulados a crescer no conhecimento e manuseamento das áreas da sua docência porque acredito que quem sabe fazer sabe ensinar e por vezes desconfio que têm razão os que ironizam com o provérbio “quem sabe, faz, quem não faz - ou é quem não sabe? - ensina!”

E estes que ensinam mas não fazem, lá se vão escudando no conhecido, gasto e ridículo argumento, tão querido aos gurus da Psicologia e das Ciências da Educação, que, mesmo quem não sabe fazer nada, se for cientista da educação sabe garantidamente ensinar!

Mas ensinar o quê? É a pergunta que nós outros, que não somos gurus nem sequer cientistas da educação, lançamos… para ficarmos sem resposta.